Loucas pra Casar: machismo e mediocridade

Por Amanda Mascarenhas

FICHA TÉCNICA

Direção: Roberto Santucci
Roteiro: Marcelo Saback
Elenco: Ingrid Guimarães, Tatá Werneck, Márcio Garcia, Suzana Pires, Fabiana Karla
Gênero: Comédia
País: Brasil
Duração: 1h 38min
Lançamento: Janeiro de 2015

Estava bastante animada e com grandes expectativas para assistir ao nacional “Loucas Pra Casar”, principalmente devido a presença das atrizes Ingrid Guimarães e Tatá Werneck no elenco. A comédia narra a história de Malu (Ingrid Guimarães), uma mulher bem-sucedida e independente que há três anos namora Samuel (Márcio Garcia), homem que considera ser o amor de sua vida.

É plausível que se pense que Malu tem tudo o que poderia desejar, exceto por um detalhe: uma aliança no dedo anular da mão esquerda. Quando parece que finalmente o pedido de casamento vai acontecer, Malu descobre que Samuel está se relacionando com outras duas mulheres: a sensual dançarina de boate Lúcia (Suzana Pires) e a jovem, pura e religiosa Maria (Tatá Werneck).

Considerando que a trama de “Loucas Pra Casar” é totalmente clichê e já foi explorada de forma semelhante em filmes lançados com menos de um ano de diferença, como o americano The Other Woman (“Mulheres ao Ataque”, no Brasil), com Cameron Diaz, as expectativas não deveriam ter sido tão altas. Entretanto, o elenco talentoso, somado ao diretor e roteirista experientes no gênero – Roberto Santucci e Marcelo Saback trabalharam juntos em “De Pernas Pro Ar” 1 e 2 -, poderiam ter provocado muito mais risadas e situações inusitadas do que o filme realmente apresenta.

Diferente do similar americano The Other Woman, em que as três protagonistas se unem para buscar vingança contra o homem que as enganou, o que se vê em “Loucas Pra Casar” são três mulheres totalmente dependentes de uma figura romântica masculina. Malu, Maria e Lúcia não se valorizam e em vez de terminar de vez seus relacionamentos com o mulherengo, decidem disputar entre si seu amor e, claro, um pedido oficial de casamento.

Além de mostrar um significado vazio do casamento, a atitude das personagens reforça a posição depreciativa e dependente das mulheres em relação aos homens, o que faz o filme ser um tanto quanto machista. A grande quantidade de estereótipos e personagens caricatos também incomoda, como o homossexual escandaloso e com trejeitos femininos, a carioca fogosa e promíscua, a sogra conservadora e antipática e a lésbica masculinizada que foge dos padrões de beleza midiáticos, apesar de que a personagem de Fabiana Karla é um dos alívios cômicos do filme. Tudo isso decepciona.

Ao final do filme, quando as três protagonistas finalmente decidem mudar de atitude, ocorrem as reviravoltas que irão gerar um desfecho surpreendente para a trama de “Loucas Pra Casar”, porém, infelizmente, no mal sentido da palavra. De fato, foi um final inesperado e nada clichê, o que poderia ser considerado algo quase positivo, entretanto, o desfecho deprimente, bizarro e quase esquizofrênico não só não combinou com o filme, por ele ser uma comédia, como causa confusão, estranhamento e incredulidade.

No fim das contas, “Loucas Pra Casar” ganha pouquíssimos pontos ao tentar inovar, mas perde muitos outros pela falta de criatividade do restante do filme. Certamente existem comédias piores, mas isso não impede que este seja considerado apenas moderadamente engraçado, preguiçoso e frustrante. Em resumo: medíocre.

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Texto originalmente escrito para trabalho da disciplina “Cinema e Vídeo”, do sétimo período de Jornalismo da PUC Minas

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