PRECONCEITO E INTOLERÂNCIA AINDA SÃO PROBLEMAS ENFRENTADOS POR MULHERES TRANSEXUAIS NO BRASIL

Por Amanda Mascarenhas e Laysa Viegas

Além das dificuldades de aceitação por suas famílias e pela sociedade, as travestis e transexuais também lidam com a rejeição de grupos feministas e religiosos

A noite chega e Natasha Ferreira Alves, 26 anos, logo vai para seu ponto de costume. Com seu cabelo comprido e liso, de cor escura, e seu vestido curto e justo, ela atrai vários olhares. Não somente os olhares de julgamento dos quais costuma ser alvo durante o dia. À noite, a coisa muda de figura e Natasha encarna o papel que o senso comum já confere às mulheres transexuais. Ela é uma prostituta e os olhares da noite são de desejo.

O primeiro carro se aproxima. Ela se abaixa, apoia-se na janela e com seus seios avantajados e os penetrantes olhos azuis que lhe atribuem as lentes de contato, não tem dificuldades em conseguir o primeiro programa da noite. A sensação de nojo, mesmo após tanto tempo se prostituindo, persiste. É terrível fazer sexo com alguém que ela não quer. Natasha tenta pensar apenas no dinheiro: “Eu tenho esse valor”.

É esta a realidade de muitas travestis e transexuais que vivem no Brasil. Raros são os que dão oportunidades de emprego digno a essas mulheres. A prostituição não é uma escolha que parte de uma vontade pessoal, é um meio de sobrevivência quando o mercado de trabalho fecha suas portas. Natasha jamais pensou que conseguiria se prostituir, até não ter alternativa e fazer o primeiro programa. Afinal, ela precisa de dinheiro para comprar os itens, medicamentos e produtos que fazem dela, fisicamente, uma mulher.

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